Uns dias atrás alguém fez algo que me deixou chocada. Fui comparada a um robô. Isso mesmo, algo que não têm sentimentos, faz o que tem que fazer, na hora que tem que fazer, sempre e sem questionamentos. E isso me deixou completamente preocupada. Não só por que detesto pessoas robôs, como eu nunca tinha parado pra pensar sobre isso.
A questão é que eu desaprendi a falar não, essa palavrinha de três letras se tornou algo distante da minha realidade durante muito tempo. Tudo o que eu tinha que fazer, eu fazia. Simples assim. Bastava alguém me pedir, que lá estava eu “obedecendo”. E não pense que era de qualquer jeito não. Quando me pediam algo, fazia como se dependesse da vida de alguém (os perfeccionistas me entendem).
Porém, ao mesmo tempo em que fazia praticamente tudo para ajudar os outros, um espírito de revolta crescia cada vez mais em mim. Algo grande e devastador que não concordava com tudo aquilo e achava tudo errado. Comecei a parar de falar o que eu pensava, e sim o que os outros esperavam que eu pensasse.
Acredito que eu só era totalmente eu, quando escrevia. Mas mesmo assim, esse monstro crescia dentro de mim, devorou minhas opiniões, minha visão, minha voz. E só sobrou uma pessoa igual a todas. Alguém comum, vazia por dentro e oca na cabeça. Uma pessoa que não questiona, não discorda não expressa sua verdadeira opinião. Perdi minha identidade.
Acredite, depois de muito tempo sendo assim, recuperá-la não será fácil. Esqueci de como é ouvir alguém falar bobeira ou algo que simplesmente viu na televisão e eu falar “não concordo”. Não me lembro de como é ter uma discussão amigável, já que isso virou algo, de certa forma, errado de se fazer. Não me lembro de como é convencer alguém de algo, porque a mente das pessoas está cada vez mais limitada.
Mas não percebi que ficando quieta nada ia mudar. Tudo aquilo que eu via de errado continuaria da mesma forma, porque ninguém tem coragem de fazer algo para ser diferente. Mas isso está errado. E para aqueles que me conhecem a mais tempo, a antiga Luísa está de volta. Se preparem, porque o sim não vai ser algo tão comum vindo de mim mais e as minhas opiniões são mais diferentes das suas do que eu jamais demonstrei.
Bom, esse não é o tipo de texto que gosto de escrever, mas sem dúvidas era o que eu precisava no memento. De qualquer forma, espero conseguir voltar ao que era antes, será difícil, mas vou conseguir! Beijos :*



